Uma declaração conjunta emergiu da cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE), realizada recentemente na Colômbia. Este importante documento diplomático, resultado de complexas negociações entre as delegações presentes, foi assinado por cinquenta e oito das sessenta nações que participaram ativamente do encontro binacional. O texto final reflete uma posição de forte consenso regional e internacional, manifestando uma oposição veemente e inequívoca a qualquer forma de intervenção militar ou ameaça de uso da força dentro da área de influência dos países membros.
A essência da mensagem contida na declaração reafirma os pilares fundamentais do direito internacional e a necessidade de aderência estrita aos acordos multilaterais existentes. O documento é claro ao estabelecer que as nações signatárias não tolerarão atos que violem a soberania territorial e a manutenção da paz regional. Especificamente, o trecho central do texto afirma: “Reiteramos nossa oposição ao uso ou à ameaça do uso da força e a qualquer ação que não esteja em conformidade com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas”. Esta passagem sublinha o compromisso dos países com os mecanismos pacíficos de resolução de conflitos e a manutenção da estabilidade.
Apesar da firmeza na retórica de paz e do amplo apoio observado na Cúpula Celac-UE, a declaração adotou uma abordagem visivelmente cautelosa em relação a incidentes geopolíticos recentes de alta sensibilidade. Notavelmente, o documento evitou cuidadosamente fazer menção direta aos recentes ataques militares perpetrados pelos Estados Unidos na região do Caribe, conflitos que resultaram na perda de setenta vidas. A abstenção de citar o episódio específico sugere um delicado equilíbrio diplomático buscado pelos mediadores para garantir a assinatura da maioria. No entanto, a unanimidade entre os presentes não foi alcançada, pois a Venezuela e a Nicarágua, duas nações com histórico de tensões com organismos internacionais e grandes potências, optaram por se distanciar formalmente do documento conjunto, sinalizando reservas em relação à sua formulação final e implicações políticas.
Fonte de Matéria: Estadão












